A coalização de partidos de esquerda e os nacionalistas utilizaram a imprensa como parte da máquina de guerra. Jornais monárquicos, católicos e falangistas apoiaram o levante militar. Mas a censura se mostrava presente. As organizações políticas e sindicatos produziram uma grande variedade de jornais. Na frente de batalha, divisões, brigadas e às vezes até batalhões produziam suas próprias publicações. Os dois lados também fizeram uso máximo do rádio para informação, recrutamento e propaganda.
A imprensa católica estrangeira apoiou de imediato o levante nacionalista. Criticava as restrições ao clero, a profanação das igrejas e a morte de religiosos. Mas os franquistas não se esforçavam para facilitar a vida da imprensa. Os jornalistas eram vistos como espiões e quem duvidasse dos fatos divulgados pelos rebeldes logo passava a suspeito de ser um "vermelho".
O jornal britânico The Times, um dos mais importantes do continente, permaneceu neutro durante o conflito. Mas, em 1937, algumas reportagens sobre o país basco foram bloqueadas para não "irritar" os alemães. Nos Estados Unidos, a República foi apoiada pelo The New York Times. Mas na produção de reportagens sobre os campos de refugiados, por exemplo, havia uma recomendação para que fossem evitados sentimentalismos.
No Brasil, a cobertura foi majoritariamente conservadora e crítica aos republicanos. As manchetes mais contundentes foram dos jornais O Globo e A Noite. O Correio da Manhã, Folha de S.Paulo, Estado de S.Paulo, Diário de Notícias e O Jornal optaram por uma cobertura menos passional. O clima não era favorável às forças de esquerda. Em 1935, o governo Vargas havia debelado um movimento rebelde que ficou conhecido como a Intentona Comunista. Dois anos depois, foi instaurado o Estado Novo, com forte tendência fascista.
A Guerra Civil Espanhola tem íntimos vínculos com a história brasileira. É grande o envolvimento de soldados brasileiros da esquerda militar que partem para a Espanha como voluntários, segundo José Carlos Meihy. Além disso, no Brasil viviam filhos de espanhóis progressistas, atentos ao noticiário da Europa. De outra parte, havia um ambiente favorável à criação do Estado Novo. Para José Carlos Meihy, houve uma preparação para que o regime fosse instalado no Brasil com respaldo da opinião pública. "Neste sentido, a imprensa acaba tendo um papel importante ao assumir a Espanha como um modelo para novos desastres de guerra. Diziam:” “Veja o que acontece lá, onde a esquerda está instalada.”

Nossa BRILHANTE!!! muito obrigada, estava desesperada porque precisava de particularidades da guerra civil, e aqui achei basicamente TUDO que precisava
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